Inconsistências orais
No outro dia estava num almoço com uns colegas quando se começou a discutir toda a problemática de encontrar cabelos na comida.
Após ter passado recentemente quase um mês e meio a atravessar a Indonésia de mochila às costas o meu conceito de higiene alimentar é agora algo dentro de “o prato passou por um balde de água de 2 dias de lavagens onde o cão ainda não vomitou” pelo que fiquei a observar a conversa com aquele distanciamento de quem sabe que quando decidir participar a coisa perde a piada.
Eles lá continuaram a discutir a diferença que faz na escala de nojo o cabelo ser encaracolado ou não, curto ou mais longo, descoberto no prato ou na comichão da garganta e outros detalhes que ninguém se dá ao trabalho de reparar quando o cabelo ainda está na devida cabeça quando comecei a pensar na inconsistência desta discussão.
Vejamos.
Temos ali 10 caramelos, homens feitos, que gostam de sair à noite e fazer o seu engate. Portanto, 10 marmanjos que, se a noite lhes correr bem, vão levar uma gaja qualquer para casa, que não conhecem de lado nenhum, e passar os próximos 5 minutos ou 5 horas, dependendo da experiência sexual e da bebedeira, a chupar uma língua, a dar um banho à gato, a lamber um clitóris (potencialmente, rodeadinho de pêlos ou, com azar, com aquela barba de 3 dias lixada de quem depila com gillete e faz efeito velcro com a própria barba de 3 dias), a beber saliva, engolir sucos vaginais, cabelos, pelos e afins, alguns destes não pertencem necessariamente à gaja com que estão. E qual é o resultado?
Felizes da vida, de peito inchado, sorriso malandro na cara dizem para os amigos “Ca ganda queca que eu mandei!”
E agora esses mesmos gajos estão aqui à minha frente a discutir o nojo que sentem quando “encontramos um cabelinho no hambúrguer com cogumelos”.
Será que o problema dos cabelos na carne de vaca é só quando ela está picada?